Outra Ghost Bike. Outro protesto. Outra comoção entre os ciclistas.
E mais uma vez não ficará claro para os motoristas de ônibus que a bicicleta tem preferência na circulação, segundo o Art. 38 do CTB, nem que é preciso conduzir com cuidado, por mais cansado e por mais horas extras que o motorista esteja e já tenha feito, e sequer ficará patente para estes que existe uma lei que regulamenta a circulação e que deve ser respeitada por todos.
Ora, a lei, se sequer a vida é respeitada.
“O motorista só percebeu quando testemunhas gritaram”. Distração? Dele? De ambas partes?
Nada do que a perícia disser poderá devolver a vida ao Sr, José Vicente dos Santos. Nem fará com que motoristas de ônibus conduzam com menos displicência. Nem fará que os ciclistas procurem se tornar mais visíveis para os motorizados.
Pessoalmente, circulo de bike por SP há mais de 20 anos e reitero, nunca foi tão fácil como atualmente. Se o ciclista se mistura ao trânsito e fala sua linguagem, com sinalização luminosa e gestual, ao contrário do que se possa imaginar, o motorista, inclusive o de ônibus, com raríssimas exceções, respeita o ciclista.
Uma hipótese é que o ônibus tenha colhido o Sr. Vicente porque seu condutor não respeitou o direito de preferência da bike e não aguardou sua passagem pela esquina, ao fazer a curva justamente em cima dele – a lateral do coletivo e as rodas traseiras não tangenciam a curva como a extremidade dianteira do veículo, pelo simples fato de que na maioria dos ônibus, as rodas traseiras não esterçam e o mesmo não “dobra no meio” para efetuar uma conversão, sendo frequentes casos em que pedestres são atingidos quando as rodas traseiras sobem na calçada, ou passam muito próximas do meio-fio, em curvas fechadas. Uma hipótese provável, nesse caso.
Hipóteses. Perícias. Indignação. Especulações. Protestos. Outra Ghost Bike. E o Sr, José Vicente dos Santos se foi. E dentro de alguns dias mergulhará no oblivião do carnaval midiático, entre , caras, bundas e fotos sensuais “roubadas” de uma ou outra atriz decadente querendo hypar sua popularidade, juntamente com todas as outras vítimas, levando junto a consciência de todos, de que a vida deve ser respeitada, estando a bordo de um coletivo, de uma Ferrari como a do Sr. Thor Batista, ou mesmo sobre uma diáfana bicicleta.
Oremos.
KDF




