TENHA UM DIA MARAVILHOSO = #PEDALENAGREVE

Uma manhã de tormentos infernais para dois milhões de pessoas – ou mais. Greve no metrô automaticamente implicando em congestionamentos recordes. Acidentes por toda parte. Atrasos. Conflitos com a PM. Estações fechadas. Perda de tempo e do dia de trabalho. A incerteza de consegiuir chegar ao destino ou de retornar para casa.

 

Minha vacina contra tudo isso foram… duas rodas! E movidas a pedal!

 

Para mim, foi uma manhã simplesmente maravilhosa e ensolarada, em que estive em inúmeros pontos da cidade – e chegando sempre adiantado: Luz-Pari-Brás-Vila Clementino-Ipiranga-Cambuci-Sumaré-Lapa-Luz. Consegui fazer simplesmente tudo e comparecer a todos os meus compromissos – e adiantado. E no retorno, ainda pude curtir o passeio ensolarado, tomando um energético de baixa caloria, pedalando tranquilamente entre fileiras de milhares de automóveis estacionados em plena via, cada um deles ocupado por seu único e respectivo – e desesperado – passageiro: o motorista.

 

Enfim, tudo corrobora para a expansão do modal bicicleta, com exceção do Plano Cicloviário Municipal que sequer conseguiu fazer regulamentar as leis 14.266 e 13.997, ambas existentes só no papel, pois não há quem as aplique, nem há penalidades previstas para os contraventores. A consequencia é a indisponibilidade de paraciclos e bicicletários. Some-se a isso o fomento à indústria nacional representado pela abundância de oferta de crédito e isenção do IPI para automóveis populares produzidos no Mercosul – se bem que as bicicletas também serão isentas – indicando que desta feita, o sistema viário das grandes metrópoles chegará facilmente ao limite absoluto de saturação, incorporando mais alguns milhões de insossas, tontas e débeis baratinhas um-ponto-zero.

 

Mas nem tudo são espinhos, amanhã será lançado o programa Bike Sampa de compartilhamento de bicicletas, seguindo bem-sucedidos modelos de cidades européias como Hamburgo, Amsterdam e Paris: 

 

http://catracalivre.folha.uol.com.br/2012/05/programa-de-compartilhamento-de-bicicletas-em-sao-paulo/

 

Enfim, o modelo carrólatra e rodoviarista iniciado por Washington Luís – “governar é abrir estradas” começa agora a se sufocar no barro das circunstâncias criadas por ele próprio, dando margem a uma progressiva – embora conturbada e por vezes conflituosa – re-humanização das cidades.

 

Se você é carroadicto, não terá meus sentimentos. Trate de botar essa banha pra fazer girar uma pedivela.

 

Se você é dependente de modais não próprios para se deslocar, trate de acordar e enxergar que não existem só o Metrô e os ônibus. Você está parado no tempo, atualize-se. Tenha sempre à mão uma boa bicicleta.

 

E se você é ciclista, estamos de parabéns, as labaredas do inferno carrocrata e modal-escravagista, a saber: horas de vida perdidas, despesas, tumultos, multas e prejuízos nas batidas – e enchentes – não haverão de nos lamber.

 

E vamos todos pedalar!

KDF

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