ILUSÃO E REALIDADE

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O ser humano perdeu a capacidade de perceber que está privado da liberdade preso no trânsito, atado materialmente a um trambolho que não passa agora de um símbolo ilusório de liberdade. Mas enfim, a verdadeira liberdade é a das escolhas, mesmo se esta escolha for tornar-se um cativo. Questão de percepção.

Já não tenho tanta convicção de que, se pudesse escolher, o motorista escolheria NÃO estar preso no carro. Falta uma pesquisa. Reações como a do Estadão revelam uma vaidade ilusória de negar que existe um problema. Fase clássica da negação. Freud explica.

http://ow.ly/pMr3G

O transporte público sofre porque mobilidade e logística NÃO SÃO objeto de dedicação dos administradores. “Prioridade pra maioria”, sim. Mas não para a maioria dos que dirigem sozinhos um trambolho que ocupa o espaço de metade de um ônibus que transportaria 50 pessoas.

E agora que os carros não cabem mais numa camada só nas ruas, farão com que andem uns por cima dos outros? O uso do automóvel nos grandes centros tornou-se insustentável, o total de veículos emplacados supera em área de ocupação a área total das vias do município! basta olhar o infográfico do Datafolha: http://ow.ly/i/3pn3l/original

Falta talvez um pouco mais de coragem ou networking político para transformar o transporte público naquilo que deveria ser, estabelecendo parcerias com universidades, interessados e a sociedade civil, modernizando os modais públicos, compensando o secular abandono, sucateamento e obsolescência dos sistemas e redes, imposto pela carrocracia que imperava soberana no executivo até então.

É preciso repensar, reinventar.

Por outro lado, omissão da coletividade nas discussões sobre questões que a afetam faz parte do comportamento provinciano de uma sociedade colonista como a nossa, em seu hábito herdado da submissão ao reino português, de delegar aos administradores as responsabilidades que por dever e direito competem a si. Um exemplo clássico foi a quase total omissão da comunidade ciclística na votação do PL de autoria de Adilson Amadeu, que dispões sobre emplacamento de bicicletas – http://www.youtube.com/watch?v=SX5dGHpYsCI&feature=youtu.be&a

A solução do conformismo reinante passa pela educação para a participação e pela cultura da participação, cultivo das quais não é exatamente objeto de prioridade dos mandatários.

KDF

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