THE TIMES THEY ARE A-CHANGIN’

Há 50 anos nesta data, alguém explodia os miolos de JFK durante uma carreata em Dallas, pondo a culpa num conferente de estoque.

Hoje a conspiração é pra lá de manjada. Lyndon Johnson e a grande famiglia. Na época, surpresa para o mundo inteiro, o fato.

Mas surpresa boa mesmo aqui no Brasil era a das “caixinhas de surpresa” que vinham com uma porcaria qualquer dentro. Custavam 10 centavos de Cruzeiro.

Do lado de fora, nenhuma marca ou identificação. Produto artesanal? Corre a lenda que, já na época, eram manufaturadas por detentos e/ou, que seria uma atividade paralela das organizações ilegais que também dominavam o jogo do bicho e que a venda de tais artefatos era compulsória para vários comerciantes, como uma forma de “demarcação territorial” por parte das organizações, servindo como via de penetração para futuros produtos nem tão inofensivos.

Eram caixas padronizadas. decoradas com páginas de revistas velhas coladas: “O Cruzeiro”, “InterValo”, “Revista da TV”, “Manchete”, “Realidade”. Do mesmo tamanho das caixas de fósforos marca “Guarany”, aqueles maiores, tipo fósforo americano, só que não riscavam em qualquer lugar. Um pedacinho de fita adesiva que na época chamavam de Durex® impedia que a caixa se abrisse.

Dentro, a incógnita, que poderia ser desde um ridículo anelzinho de plástico com gema cor-de-rosa, um apito, uma miniaturinha de moto feita de chumbo, que apesar de incrivelmente bem detalhada e ter embaixo a inscrição “made in Hong Kong”, servia pra envenenar a molecada desde cedo com metais pesados, um quebra-cabeça daqueles de duas peças de arame que se encaixam depois nunca mais se separam, uma estrela de xerife, um pirulito de morango meio melado dentro da embalagem com o palito quebrado no meio pra caber na caixinha, um tosco carrinho de Fórmula 1 modelo “charutinho”, também de chumbo e grosseiramente pintado, uma meia dúzia de estalos de salão, ou até uma figurinha de craque de futebol. Nunca saía uma do Pelé. Além de insondáveis outras quinquilharias que eu jamais encontrei.

Foi no século passado, ou seja, a grosso modo, há cem anos. Eu estava lá.

Yeah, well. Mas hoje tem Kinder Ovo, a caixinha de surpresa comestível, que além de estimular a curiosidade e a psicomotricidade, pois geralmente os brinquedos que vem precisam ser montados, também estimulam a obesidade mórbida infantil, com suas 114 kcal dos 55% de carboidratos por unidade, com 36% de gordura pura e quatro gramas de Sódio, duas vezes a dose máxima diária para um adulto de peso corporal médio, formando hoje o vasculopata hipertenso de daqui a pouco.

As máfias mudam, os danos aumentam, mas a surpresa continuou a mesma.

No surprise, after all. It’s evolution, baby.

 

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